Se está enfastiado de em cada manhã olhar a sua pila e ver sempre a mesma cara, se lhe parece que ela já não cumpre com lealdade as funções que lhe foram confiadas, se em suma, está farto dela e já não a pode ver pela frente, deite-a fora e arranje uma nova.
Desde que tenha o cuidado de não eliminar os testículos, o Hospital de Sant Pau de Barcelona garante-lhe a reconstrução de uma, toda em estado novo, com um motor hidráulico devidamente afinado e depois só tem de acelerar.
O apelido artístico da Mata impeliu-me a conhecer essa Vanessa de Mato Grosso que toda a gente conhece de ouvido pelo menos desde o dueto com Ben Harper.
Vanessa já tem três álbuns publicados. O primeiro, de seu nome Vanessa da Mata (2002), a que se seguiu dois anos depois Essa Boneca Tem Manual e no ano passado Sim. E convenci-me que ela tem tudo para ser uma boneca logo a começar pelo seu ar tombado.
No disco seguinte já se ergueu mas a saia de flores, os gatinhos fofos a cheiricar por ali, o papel de parede também florido e a condizer com o generoso decote para um colo branco que palpita sob o colar ali mesmo à direita de quem está está a olhar e até os tótós me convenceram que estava perante uma casinha de bonecas.
Aliás, o último disco em que volta a aparecer tombada sobre o seu enorme vestido de Barbie e a repetir sim confirmam todas as suspeitas de que a Vanessa é uma boneca que diz sim.
Recordamos ainda que as onomatopeias e os sons guturais são uma constante do seu repertório cujo exemplo mais conseguido é o tema Ai, Ai, Ai de 2006, feito a meias com Liminha, que transcrevemos:
Tchunanananã! Ná Nã Nã! Ná Nã Nã! Ná Nã Nã! Tchunanananã! Ná Nã Nã! Ná Nã Nã! Ná Nã Nã! Tchunananã! Ná Nã Nã! Ná Nã Nã! Ná Nã Nã! Tchunanananã! Ná Nã Nã! Ná Nã Nã! Ná Nã Nã! Tchunanananã! Ná Nã Nã! Ná Nã Nã! Ná Nã Nã! Tchunanananã! Ná Nã Nã! Ná Nã Nã! Ná Nã Nã!
Se você quiser Eu vou te dar um amor Desses de cinema Não vai te faltar carinho Plano ou assunto Ao longo do dia…
Se você quiser Eu largo tudo Vou pr’o mundo com você Meu bem! Nessa nossa estrada Só terá belas praias E cachoeiras…
Aonde o vento é brisa Onde não haja quem possa Com a nossa felicidade Vamos brindar a vida meu bem Aonde o vento é brisa E o céu claro de estrelas O que a gente precisa É tomar um banho de chuva Um banho de chuva…
Ai, ai, ai, ai, ai, ai Ai, ai, ai, ai, ai, ai Aaaaaaai! Ai, ai, ai, ai, ai, ai Aaaaaaai! Ai, ai, ai, ai, ai, ai Ai, ai, ai, ai, ai, ai Aaaaaaai! Ai, ai, ai, ai, ai, ai Aaaaaaai!
Começou por se chamar Aguabona por mor das boas águas que por lá corriam e hoje a freguesia limitada a norte pelo pomar de Coina e pela E.N. nº 510-1, a este pela via rápida e a oeste pelo rio Coina já é paragem do comboio da Fertagus que ostenta bem alto o nome de Coina.
Nossa Senhora dos Remédios é a padroeira das suas festas que ocorrem no mês de Julho mas o nome desta vila ficou pela primeira vez no ouvido dos portugueses a partir de 1975 quando Artur Gonçalves lhe dedicou o Vira da Minha Terra com a seguinte letra:
Ai vamos à Coina rapaziada, vamos a todas não escapa nada ai não escapa nada, vamos prá moina, rapaziada vamos à Coina
Fica juntinho ao Barreiro a terra dos homens de Coina, Seja do Minho ao Algarve todos lá passam pela Coina, Rapazes venham à Coina porque hoje é dia de festa, Foi na Coina que eu nasci, não há Coina como esta.
Ai vamos à Coina rapaziada, vamos a todas não escapa nada ai não escapa nada, vamos prá moina, rapaziada vamos à Coina
Tem a mata a rodeá-la com sombra amiga para nós é a mais linda da Coinas ó Coina dos meus avós Foi da Coina que eu vim, terra de alegria e som Se ainda não foste à Coina vai à Coina que é bem bom
Alfredo Saramago legou-nos um manual de sedução onde se incluem as receitas de alguns cocktails que aqui colocamos à vossa disposição:
Convença a sua convidada a tomar um cocktail, em vez de lhe perguntar se quer um dedo de whisky ou um triste gin tónico. Com um cocktail pode começar a impressionar, porque permite evidenciar imaginação, arte de combinar paladares, ao mesmo tempo que requer pujança física para bater energicamente o shaker! (…)
Stinger
1 porção de cognac
1 porção de creme de menta branco
Bata no shaker com gelo moído
VIP
1 porção de armagnac
1 porção de cointreau
1 porção de rum branco
Bata no shaker com gelo, antes de servir
(…)
White Lady
1 porção de gin
1 porção de Triple Sec
1 porção de sumo de limão
Bata no shaker com gelo. Humedeça as bordas do copo como sumo de limão e passe-as num prato com açúcar para a obtenção de uma coroa branca.
(…)
Bloody Mary
1 porção de vodka
2 porções de sumo de tomate
1/2 de sumo de limão
algumas gotas de Worchester
sal e pimenta
Bata fortemente no shaker com gelo.
[In Alfredo Saramago, Cozinha para Homens - A Honesta Volúpia, Colares: Colares Editora, 1994, 2ª edição]
A mudança de costumes quebrou hábitos de encantamento e sedução entre um homem e uma mulher. Se uma refeição ainda é considerada como meio fácil para a minguada estratégia da corte e da sedução, ela é normalmente combinada para o restaurante que esteja em cota alta. (…)
A refeição entre os dois, deixou de ser importante em si mesma e tanto o homem como a mulher se retiraram há muito como intervenientes directos desse acto, que tinha na ritualidade da confecção o fascínio de um dos dois ser o sacerdote oficiante, tirando desse acto uma aura que lhe dava a excelência no jogo do amor. Este livro é para os amantes que entendem um “tête-à-tête” como um madrigal, parecendo feito de imprevisto, mas tratado com o esforço e o tempo que a refeição requer. As melhores improvisações são as que são devidamente preparadas e a mulher não deverá aperceber-se desse esforço e dessa procura. (…) Não faça um jantar copioso. Uma certa austeridade fará com que a sua convidada aprecie melhor a sua confecção e o seu tempero e comer muito, só dá sonolência, o que não é desejável.
[Alfredo Saramago, Cozinha para Homens - A Honesta Volúpia, Colares: Colares Editora, 1994, 2ª edição]