Ó da guarda, Carolina!

(imagem daqui)
O raça da rapariga resolveu estudar Medicina e em 1902 concluiu essa formação na Escola Médica de Lisboa e casou com o seu condiscípulo Januário Barreto e até começou a exercer cirurgia no que foi o primeiro português do sexo feminino a fazê-lo.
Era uma republicana convicta e empenhada, primeiro na direcção da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e depois, na Associação de Propaganda Feminista e foi ela que com Adelaide Cabete, também republicana e médica, cerziram a bandeira nacional que em Lisboa foi hasteada no dia 5 de Outubro de 1910. Por coerência defendeu o direito das mulheres a votar o que não era permitido. E se o defendeu melhor o fez para as eleições legislativas de 28 de Maio de 1911. Carolina estava viúva e usando a lei em vigor que conferia o direito de voto aos cidadãos maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever ou que fossem chefes de família, requereu a sua inscrição como eleitora e ganhou o processo em Tribunal, sendo a primeira portuguesa a votar. Pena que os legisladores se tenham afadigado em que tal não voltasse a suceder e tenham corrigido em 3 de Julho de 1913 para especificar “chefes de família do sexo masculino”.
