Marginal

pormenor
[Foto © Rui Alexandre Gomes Oliveira, 2007, Pormenor]

O que é um marginal?
Quando rebati a idiotice do escritor maldito estava a atacar frontalmente (o visado era o Artur Ramos e a entrevista que deu ao jornal da RTP; a fama vinha muito de trás) um modus vivendi em que a maioria se deleitava: viver a melhor vidinha possível, considerando a Literatura não um acto de conhecimento e afirmação (desafio, contestação, intervenção, criação pura, total) mas uma mercadoria mais na sociedade de consumo. Uma mercadoria elevada, de alta condição, nobre, assim mais ou menos o que, na Era dos Descobrimentos, seriam as especiarias do Oriente longínquo: um condimento refinado. Não um jogo de vida ou de morte (connosco, com o Outro, com as palavras e as formas)- e era por aí que eu ia. Queria, tentava ir. Quase todos se deixavam levar pela ânsia da promoção social, económica, quando ela, a Literatura, deve ser ânsia (acho eu), o desejo da coerência, a unicidade. Uma forma de ser livre. Isto que, só no campo literário, leva a chatices (e passei por elas), na vida quotidiana, na luta pela sobrevivência própria ( e se há família, pior, tem várias saídas. O segundo emprego (leia-se: primeiro, o substancial emprego), o mecenato.
Em qualquer caso um compromisso. Porque absolutos não há.

Excerto de 24/10/ 74 de Luiz Pacheco, Diário Remendado, Lisboa: D. Quixote, 2005

PI das brincadeiras de inverno

felaciodegelo

penisdegelo

tapapenis

[imagens gentilmente enviadas por Paulo Vinhal e Sagher]

Ou boi ou vaca

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Ou boi ou vaca: o importante posfácio serve de chamariz e vai anunciado : «2ª edição, com um importante posfácio», ou aparece simplesmente no índice - «Noticiário de Mim, à guisa de importante posfácio»- e não se anuncia mais nada. Vou já reler tudo e tentar estabelecer as partes a cortar e os temas que ali se afloram e podem dar a ideia do importante posfácio [piada ao Régio, ao Abelaira, a todos os que sabem tudo, como é e fazem e querem explicar, entendendo que o leitor é estúpido ou duvidando (caso mais provável) que aquilo que escreveram antes se entenda por si] que era o principal. (…) Podem dizer que fiz o mesmo no Libertino com o Júlio Moreira e na Crítica de Circunstância com o Virgílio Martinho. Mas na C.C. eu ainda era um maldito…; e o Libertino precisava de um apoio sério.
Agora, quero gozar comigo e com os outros, os das automuletas ou dos salamaleques dos compadres.

Excerto de 15/04/ 73 de Luiz Pacheco, Diário Remendado, Lisboa: D. Quixote, 2005

Independências

Esta não é uma sondagem avençada pelo ME ou pelo Governo. Nem sequer é portuguesa. Foi realizada pela Gallup e abrangeu 60 países. Os resultados não diferem muito entre os vários países, com raras excepções, e não são propriamente surpreendentes; quer no que diz respeito aos políticos (7%), quer aos professores (42%), quer ainda aos sindicalistas (?).
Também não podemos esquecer de agradecer e dedicar estes resultados a quem afirmou ter perdido uns para ganhar outros.

Os professores são a profissão em que os portugueses mais confiam e também aquela a quem confiariam mais poder no país, segundo uma sondagem mundial efectuada pela Gallup para o Fórum Económico Mundial (WEF).

Ah! 15% dos portugueses responderam “nenhum destes”. Devem ser os engenheiros e sociólogos que se sentiram discriminados…

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Maternidade de portas abertas

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Embora ambos possam garantir o regular funcionamento de entradas e saídas é neste caso determinante o sexo das/dos vogais.

Pois é!

Milagres estatísticos

Por outras palavras, Manuel António Pina

A estatística é aquela arte que prova que, se eu comi dois ovos e tu nenhum, cada um de nós comeu um, ou, em versão actualizada, que se o dr. Paulo Teixeira Pinto foi à junta médica e saiu de lá com 10 milhões e uma pensão de 37 500 euros e Ana Brandão, funcionária administrativa de Ponte de Lima portadora de doença degenerativa que a mantém de cama há quatro anos, foi à junta médica e veio de lá apta para trabalhar e sem um tostão (pois até o salário deixou de receber), cada um recebeu 5 milhões e uma pensão de 18 750 euros. Misturada com a política, a estatística tem o poder de gerar mundos imaginários. Assim, os dados do INE segundo os quais a taxa de risco de pobreza (população com menos de 60% do rendimento mediano nacional) baixou 2% entre 2004 e 2006 serviram ao Governo para provar que há menos pobres em Portugal. Acontece é que, em 2006, o rendimento mediano estagnou (subiu 1,7%), enquanto as pensões subiram um pouco mais. Desse modo, por milagre estatístico, alguns pobres tornaram-se de repente “ricos”, passando, em vez de 60%, a ter 61% ou 62% do rendimento mediano. Não foram, pois, os portugueses pobres que ficaram “ricos”, mas os “ricos” que ficaram mais pobres. E “rico” em Portugal é, estatisticamente, quem tem mais de 366 euros por mês.

Descubra as diferenças

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© Annibale Carracci, 1588, Venus, Satyr and Cupids

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<span style=Foto © Paulo César, 2005, Not a greek statue II

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Foto © Nuno Belo, 2007, Naked 2

Água vai!

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A protecção nossa nos dai hoje!

afogolento

Brochuras porreiras, pá!

brochura

Há quem passe a vida a fazer brochuras. Sobre os mais variados temas. Porém, enquanto cidadã europeia fazer uma brochura ao Tratado de Lisboa é que me parece uma coisa inaudita.

Se foi isso que os líderes fizeram no Mosteiro do Jerónimos, porreiro pá!… Mas pensei que apesar disso o Ministério da Educação tivesse um papel central para nos introduzir às boas práticas da língua e nos exibisse uma brochura sobre o Tratado de Lisboa.

[Imagem do Portal da Educação]

Dos prazeres de fumar

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(clicar para aumentar)

[Cartoon © Bandeira/DN]

Uma lição de história cómico-marítima

Parabéns a nós!

BOp2: Gajos e gajas para o palco!

Venho aqui de baraço ao pescoço desculpar-me da minha ausência. A baixa do IVA nos ginásios, oportunidade única deste ano, convenceu-me a dar o corpo ao manifesto dos aparelhos e a manter uma imagem esbelta e saudável, de acordo com o modelo de virtudes do nosso Primeiro e as palavras ficaram na gaveta.

Não poderia faltar à festa do nosso 2º aniversário, com a vontade de voltar a este palco como se fosse a nossa estreia e um voto para todos nós:

trevo da sorte

Interrompemos a hibernação

para deixar um abraço a todos os meus “herdeiros” que, apesar das dificuldades, vão conseguindo manter este blogue operatório aberto e atento.
Obrigado.

730 dias a operar

segundoanobop

Trago aqui um bolinho para celebrarmos em festa o 2º aniversário do nosso Blog Operatório. São 730 dias a tocar nos outros com os nossos instrumentos numa enorme vontade de aplicar cirurgicamente as nossas mãos vigorosas e firmes para lhes curar os males.

Nós somos um serviço de atendimento permanente nas 24 horas do dia, de norte a sul do país desde que exista ligação à net, com a mesma acessibilidade quer se esteja em Freixo de Espada à Cinta ou no Paço dos Príncipes em Lisboa, gratuito e que não encerramos para não deixar os outros com as calças na mão.

Sem mais demoras nem lista de espera, brindemos para continuar a operar. Tchim!Tchim!