Geração rasca - versão internacional

Pequena canção em prosa V

O sol nasce mais uma vez no planeta França e eu saio lentamente dos meus sonhos, entrando na dança como sempre. São oito horas da noite, dormi todo o dia, voltei a deitar-me muito tarde, voltei a fazer-me surdo mais uma vez.
Outra tarde em que a juventude se vai divertir, pois aqui nada faz sentido, vai dançar e fingir que é feliz para se ir deitar educadamente, mas amanhã tudo estará na mesma.

Já que somos jovens e rascas, já que eles são velhos e loucos, já que há homens a morrer sob as pontes e este mundo encolhe os ombros; já que somos meros peões, contentes por viver de joelhos, já que, um dia, chegaremos a loucos.

O sol nasce mais uma vez no planeta França mas eu já perdi os meus sonhos há muito tempo e conheço bem de mais a dança, como sempre. São oito horas da noite, dormi todo o dia, mas sei que somos alguns milhões a procurar o amor, mais uma vez.
Outra tarde em que a juventude se vai divertir, neste estado de urgência, vai dançar e fingir que existe. Se fecharmos os olhos, quem sabe se viveremos melhor.

Já que somos jovens e rascas, já que eles são velhos e loucos, já que há homens a morrer sob as pontes e este mundo encolhe os ombros; já que somos meros peões, contentes por viver de joelhos, já que, um dia, amaremos como loucos.

Damien Saez, De fil en aiguille, 1999

Cinzentismo em tons de azul

Se tivessem escolhido antes a Fátima Lopes para os fardar, os nossos elegidos não teriam ficado tão parecidos com uma parada da Coreia do Norte.

A propósito - ainda que incumprido trinta e três anos depois - viva o 25 de Abril!