Salvo melhor opinião (4)
os historiadores do futuro ficarão confinados a arquivos de papel e suportes digitais. A adesão aos crematórios não torna o passado um cinzeiro particular?
os historiadores do futuro ficarão confinados a arquivos de papel e suportes digitais. A adesão aos crematórios não torna o passado um cinzeiro particular?
A jovenzita sem experiência não conseguia encontrar emprego e já que engravidara queria ser mãe a tempo inteiro. Como se nos actuais tempos de crise esse luxo não se pagasse.
São 9.55 horas e as bancadas estão despidas. (…)
A chegada de deputados vai-se fazendo a conta-gotas, em dia de partida para o fim-de-semana. Já é uma “tradição” os plenários das sextas-feiras serem pouco concorridos e muitas vezes com agendas consideradas desinteressantes.
Não é o caso. Vieira da Silva e os seus três secretários de Estado, que entram logo a seguir às 10 horas (com apenas 23 parlamentares na sala), levam na bagagem temas polémicos como o desemprego, a sustentabilidade da Segurança Social ou as medidas de apoio a idosos .
Os murmúrios são generalizados nas bancadas. Há quem aproveite para espreitar os jornais da manhã. Quem fale ao telemóvel. Quem converse com colegas, de pé. Gestos normais, como se viria a verificar durante a sessão, não houve um único momento em que todos os presentes estivessem sentados.
O quórum para discussão parlamentar é de um quinto dos deputados eleitos - ou seja, 46 de 230. No arranque da sessão a fasquia é superada à risca, com 47 presenças. As contas, contudo, são difíceis de fazer, dado o constante entra e sai. Meia hora depois, quando se assiste à primeira troca acalorada de acusações entre PSD e Governo, são já 97. Dez minutos mais tarde, 74. Uma hora e meia depois ainda se assina o ponto.
Pouco? Em tempo de polémicas sobre as faltas dos deputados, parecerá. Ainda assim, vários confidenciam que “no passado foi pior”. Na “bancada” dos jornalistas ouve-se a mesma opinião “Há muito tempo que não via tanta gente a uma sexta-feira. Parecem meninos. Levam uma estalada e portam-se bem”, comentava uma jornalista parlamentar. (…)
Feitas as contas, quando Jaime Gama encerra a sessão, fecham-se duas horas e um quarto de mais uma sexta-feira a meio-gás.
Há um ano atrás, foi assim. Este ano, depois da tolerância do ponto na tarde de quinta para os malandros dos FP, não se verá isto de novo - a tolerância para os abnegados self-servidores do Estado será toda a quinta-feira. Pobres telemóveis, pobres jornais abandonados tantos dias a fio…