Hodierno
Foto © 2006, Adriano BatistaDuas horas durou o corte de luz. Duas horas em que aquela parte da cidade voltou a ser a quinta escura da minha infância, ilusão apenas desfeita pelos faróis dos inúmeros automóveis a furar na escuridão. Sem o ruído dos frigoríficos e dos exaustores, dos ares condicionados ou das ventoinhas, das televisões, de qualquer aparelhagem, até o ramalhar das árvores era audível.
Estranho foi que não se ouvisse, em crescendo, o ranger de molas de colchão.
