Oh mon Dieu
Paulatinamente, as nossas saídas a dois passaram a ser preenchidas com intermináveis buscas pelas catedrais de consumo para comprar desde as couves até aos imprescindíveis consumíveis expostos na FNAC.
É claro que no conforto do lar cumpria com o esperado, produzindo um sexo competente, na segurança de quem me conhecia há tempo suficiente para saber qual a exacta acção que produzia maior impacto nos meus centros de prazer, sem deixar de referir de permeio que precisávamos de comprar um sofá novo, umas bolinhas de óleo para banho de imersão ou umas almofadas ergonómicas, conforme o local em que praticávamos o que tinha sido alicerce para vivermos sob o mesmo tecto.
Só que aquela condição de passar de parceira a assistente de compras de uma imobiliária insistentemente me fazia tinir na cabeça a adaptação de uma anedota, já que me sentia com tomates para ter outra engenharia de vida e pouco amaricada para ser decoradora. Colei no espelho da entrada um bilhete A4, a resmungar “Oh mon Dieu de la France, je n’ai plus de patience* para aguentar esta merda toda” e parti.(Imagem: © Vive la France)
* Oh meu Deus da França, eu já não tenho paciência


